Se eu fizesse tudo o que tenho vontade eu já estaria presa,
falida e frequentando os Alcoólicos Anônimos.
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Sou egoísta mesmo, admito. Independente de agir sem pensar, pensando bem ou pensar duas vezes antes de fazer qualquer coisa, eu, indubitavelmente, escolherei o meu bem, o melhor pra mim, a minha vida. Sempre. Sou a minha primeira opção. Se eu puder não me apaixonar vou fazer isso, pra evitar que eu sofra ou pior, dependa incondicionalmente do bem de outra pessoa pra ficar bem. Na verdade, vou sempre evitar qualquer tipo de envolvimento emocional. Anota ai: se envolver é meio caminho andado pra se decepcionar. Sempre. E, o pior, é que é um meio caminho sem volta. Eu nem de longe sou o tipo de pessoa boazinha que talvez eu pareça. Na verdade muita gente não é. Mas tentam, a qualquer custo, fazer com que os outros acreditem que, de fato, são os personagem que criaram. Ser diferente não é ser interessante. Ser diferente é ser estranho. Temos que ser todos perfeitinhos, robozinhos. Eu não me dou a este trabalho. Sou chata, fresca, irritante, reclamona e insuportável, sim. Tenho claustrofobia e agorafobia, mas aplicado á pessoas: medo de gente com a mente pequena e fechada, medo de pessoas vazias. Tenho fobia de tudo que é perfeito, imposto, esperado, exigido. E aviso logo que não pretendo mudar. Lamento por quem não consegue se sentir bem com as diferenças. A medíocre tendência do homem é procurar no outro o seu espelho, mas acontece que eu não estou no mundo pra ser igual a ninguém. Não nasci pra ser perfeita, tão pouco, exemplo. Vou errar mesmo e muito. Vou magoar, vou ser magoada. Não vou estar sempre de bom humor e nem me sentir obrigada a sorrir quando não tiver vontade. Não vou me matar de tanto sorrir só pra agradar. Vou fazer as coisas de meu jeito e se esse não for o jeito certo pra alguém vou lamentar muito, mas lamentar seguindo em frente e não trancada no meu quarto, reclamando por ser só. E se durante a minha jornada, magoei ou decepcionei alguém, peço desculpas. Mas não tive culpa, se tive, não fiz por mal. E se foi por mal, você mereceu. Já me machucaram também e eu sobrevivi, portanto não se preocupe, você supera. Aos que desapontei, frustrei, não amei como ‘deveria’ ou não fui boa suficiente, perdão. Estava tentando virar ‘gente grande’. E com aqueles que eu pisei feio na bola, sem que merecessem, saibam que estou genuinamente arrependida. Aquela era apenas uma lagarta tentando, a qualquer custo, virar borboleta, por não suportar mais a prisão que era seu casulo. Rachel Prado.